A agricultura brasileira acaba de dar mais um importante passo rumo à diversificação da produção de alimentos. A Embrapa anunciou o lançamento das primeiras cultivares nacionais desenvolvidas especificamente para Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs): a bertalha BRS Tereverde e o caruru BRS Ilekalu.
A iniciativa representa um marco para a horticultura nacional e cria novas oportunidades para produtores, consumidores e toda a cadeia de hortaliças.
A bertalha é também conhecida como espinafre-indiano ou espinafre-de-malabar, é uma hortaliça trepadeira de folhas suculentas e macias, com sabor suave que lembra o espinafre, O caruru é conhecido como amaranto brasileiro, possuindo diversas espécies que abrangem grupos de ervas daninhas, mas também de plantas comestíveis.
Crescimento de mercado para as PANCs
As PANCs vêm despertando crescente interesse por reunirem elevado valor nutricional, rusticidade e excelente adaptação às condições climáticas brasileiras. No entanto, a produção comercial dessas espécies ainda era limitada pela ausência de materiais genéticos padronizados e desenvolvidos especificamente para cultivo agrícola em larga escala.
Cultivares desenvolvidas para produção comercial
As novas cultivares foram obtidas a partir de materiais genéticos conservados pela Embrapa ao longo de mais de duas décadas. O trabalho de melhoramento envolveu sucessivos ciclos de seleção, ou seja, buscando plantas mais vigorosas, produtivas, uniformes e adaptadas às necessidades do mercado hortícola.
BRS Ilekalu: o primeiro caruru selecionado como hortaliça folhosa
A cultivar BRS Ilekalu é a primeira desenvolvida especificamente para consumo das folhas de caruru. Entre suas principais características estão:
- elevado teor de proteínas nas folhas;
- folhas maiores e mais tenras;
- excelente vigor vegetativo;
- elevada produtividade;
- adaptação a diferentes tipos de solo;
- boa tolerância às condições climáticas de regiões quentes.
Nas regiões Sul e Sudeste, além do sul de Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul, o cultivo é recomendado principalmente durante o período mais quente do ano.
BRS Tereverde: mais produtividade para a bertalha
A bertalha é conhecida pelo rápido crescimento, elevada produção de folhas e facilidade de cultivo. Com a nova cultivar BRS Tereverde, a expectativa é ampliar ainda mais sua adoção pelos produtores comerciais, oferecendo maior uniformidade, desempenho agronômico e qualidade das folhas destinadas ao consumo.
PANCs: mais diversidade para a horticultura brasileira
O lançamento dessas cultivares fortalece, sem dúvida, um movimento importante dentro da horticultura: ampliar a oferta de espécies cultivadas, reduzindo a dependência de poucas culturas tradicionais.
Além de contribuírem para uma alimentação mais diversificada, as PANCs podem representar novas alternativas de renda para agricultores familiares, produtores especializados e empreendimentos voltados aos mercados gourmet, orgânicos e de alimentação saudável.
Outro aspecto relevante é a rusticidade dessas espécies, que normalmente apresentam boa adaptação às condições ambientais brasileiras. Além disso, menor demanda por insumos quando comparadas a diversas hortaliças convencionais.
Oportunidades para a produção de mudas
A disponibilidade de cultivares registradas abre espaço para o fortalecimento de toda a cadeia produtiva, incluindo empresas produtoras de mudas.
A padronização genética favorece sistemas modernos de produção, permitindo maior uniformidade na germinação, no desenvolvimento das plantas e na formação das mudas. Esse cenário estimula a adoção de tecnologias que proporcionem ambientes de cultivo mais eficientes, maior controle do processo produtivo e, além disso, melhor aproveitamento do potencial dessas novas hortaliças.
Um passo importante para a inovação no setor
A chegada das cultivares BRS Tereverde e BRS Ilekalu demonstra como a pesquisa brasileira continua contribuindo para ampliar a diversidade agrícola e oferecer novas opções aos produtores.
Para um setor cada vez mais orientado por produtividade, sustentabilidade e qualidade dos alimentos, iniciativas como essa ajudam a consolidar novas cadeias produtivas e ampliam as oportunidades para toda a horticultura nacional.
Fonte: Notícia publicada pela Embrapa Hortaliças: “Embrapa lança primeiras cultivares de hortaliças não convencionais“, divulgada em junho de 2026. Informações adaptadas e reinterpretadas pela equipe Green-up para fins de divulgação técnica.
O que o universo das PANCs significa para os produtores de mudas?
O lançamento das cultivares BRS Tereverde e BRS Ilekalu vai muito além da disponibilização de duas novas opções para cultivo. Na prática, ele representa o início de uma nova etapa para a cadeia de produção de mudas de hortaliças não convencionais no Brasil.
Sempre que uma cultivar é desenvolvida por meio de programas de melhoramento genético, espera-se que suas características de produtividade, uniformidade e qualidade sejam plenamente expressas no campo. Para isso, o processo de produção das mudas torna-se um fator decisivo.
Uma muda vigorosa, com sistema radicular bem desenvolvido e crescimento uniforme, contribui diretamente para reduzir perdas após o transplantio, acelerar o estabelecimento da cultura e favorecer a expressão do potencial genético da cultivar.
Nesse contexto, produtores comerciais de mudas podem encontrar novas oportunidades de mercado, à medida que cresce o interesse de agricultores, restaurantes, feiras especializadas e consumidores por espécies diferenciadas e de elevado valor nutricional.
PANCs e sistemas de produção tecnificados
A adoção de sistemas de produção tecnificados também ganha importância. Ambientes protegidos, manejo adequado da irrigação, sementes de alta qualidade e substratos com elevada uniformidade física e capacidade de retenção de água passam a exercer papel fundamental na obtenção de mudas padronizadas e de alta qualidade.
Outro aspecto relevante é que muitas PANCs ainda estão em fase de expansão comercial. Isso significa que viveiristas e empresas produtoras de mudas podem atuar como importantes agentes de difusão dessas novas culturas. Ou seja, auxiliando produtores na adoção de tecnologias e boas práticas de cultivo.
Para empresas que desenvolvem soluções destinadas à produção profissional de mudas, como a Green-up, iniciativas como essa reforçam a importância da inovação contínua. O avanço da pesquisa pública amplia as oportunidades para toda a cadeia hortícola. Além disso, estimula o desenvolvimento de tecnologias que contribuam para maior eficiência, qualidade e sustentabilidade na produção de alimentos.